Era dia 5 de Outubro de 1910, em Lisboa fazia-se a revolução que pôs fim a uma monarquia que durou 767 anos, D. Manuel II e a família real embarcavam na Ericeira rumo ao exílio e, da varanda do edifício da Câmara Municipal de Lisboa, era proclamado o novo regime, a República.

No Escoural, a forte presença de ferroviários, das suas associações maçónicas e das suas ideias republicanas, ajudaram a que, na freguesia, a implantação do novo regime fosse rapidamente reconhecida e implantada, o que fez com que, com base nos preceitos de descentralização típicos das ideias republicanas, o poder local tivesse uma autonomia e liberdade nunca antes experienciados no país, sendo que, a nossa freguesia em muito beneficiou de tão importante detalhe. Foi com a ajuda da descentralização republicana que foi possível o calcetamento de várias ruas, que deixaram de ser lameiros nos invernos, e a construção dos lavadouros públicos, facilitando aos habitantes da vila uma instalação moderna, à data, que retirava a necessidade de se lavar a roupa nos ribeiros.

Estes e outros avanços motivados pelo progressismo republicano não caíram bem em vários dos grandes lavradores da freguesia, ávidos simpatizantes da monarquia que, por volta de 1914, vendo a economia a definhar por culpa da 1ª Guerra Mundial, e vendo a Junta de Freguesia e a autarquia fortemente tomadas pelos republicanos, começaram a despedir trabalhadores em massa, alegadamente para tentar virar os cidadãos contra as ideias republicanas e contra as instituições do poder local por culpa da falta de trabalho.

É aqui que entra Albino Vasques Fadista, comerciante e político escouralense que, integrou o executivo da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, como vereador, imediatamente após a proclamação da República. Albino Fadista, ao ver este ataque lançado pelos lavradores pró-monárquicos que lançaram desmedidas quantidades de cidadãos para o desemprego num tempo economicamente tão difícil, descruzou os braços e dedicou-se a reflectir em qual seria a melhor forma de recolocar aquelas pessoas a trabalhar, ao mesmo tempo que limpava a reputação dos seu estimado ideal republicano.

Após reflectir, Albino Vasques Fadista tem uma ideia de um elevado nível de engenho e empreendedorismo, imediatamente solicitou ao Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro do Estado que se financiasse a construção de uma estrada entre o Escoural e a estação da Casa Branca, uma obra que era de utilidade pública e, ao mesmo tempo, de grandes dimensões, podendo empregar um vasto leque de pessoas.

O órgão central autorizou a obra e libertou o financiamento para o seu início. Com isto, Albino Fadista tornava-se o responsável pelo facto de vários escouralenses no desemprego voltarem a conseguir pôr pão na mesa das suas famílias, e pelo facto de se construir um necessário meio de comunicação entre o Escoural e uma das mais importantes estações de comboios de Portugal à data, que certamente trouxe grandes benefícios para a nossa freguesia com o passar dos anos. 

Diz o ditado que “a necessidade aguça o engenho”, que o diga Albino Vasques Fadista, um homem que ousou, como bom empreendedor, pensar fora da caixa.