É preciso recuar ao ano de 1918 para poder contar uma história verdadeira que se passou nesta nossa terra, daquelas que só nos enche de orgulho e honra de pertencer a esta vila e a esta freguesia. 

Os tempos eram difíceis, a monarquia tinha caído há pouco mais de 8 anos, a jovem república tentava com todas as forças afirmar-se como um regime firme e da confiança dos portugueses, mas a instabilidade política era ainda muita. Os governos iam e vinham conforme o vento ia soprando, muita pobreza, muita insegurança, muitos tumultos. A Grande Guerra ainda se combatia nas trincheiras do centro da Europa, onde soldados portugueses ainda morriam em combate, guerra essa que estava a deixar a nossa economia em ruínas com uma miséria que se alastrava pelo país inteiro.

Neste cenário todo de instabilidade, iam decorrer eleições nacionais, e o Presidente da República era Sidónio Pais, que impunha ao país uma política autoritária e muito pouco democrática, e era também muito pouco consensual. 

O Escoural de 1918 era uma vila profundamente republicana e defensora do ideal democrático, como era comum nas localidades com muitos ferroviários em todo o país. Havia até, inclusive, actividade de ordens secretas como a maçonaria ou a carbonária, encabeçadas pelos Escouralenses comuns, ferroviários, comerciantes ou trabalhadores rurais, criando as suas associações e respectivos movimentos populares, como a organização maçónica “União e Progresso” ou a “Associação dos Trabalhadores Rurais do Escoural”, que foram criadas pelo humilde povo escouralense no sentido de unir forças por melhores condições de trabalho, melhores condições de vida, e sobretudo, lutar por uma sociedade mais justa, mais solidária e mais progressista. Valores e convicções que os habitantes desta freguesia sempre se recusaram a colocar de lado, fosse qual fosse o preço.

E foi precisamente por os nossos antepassados se manterem fiéis à sua visão do país e da sociedade portuguesa que, nas eleições de 1918, foi feito aqui — nas ruas que todos os dias percorremos e em que fazemos a nossa vida — um destemido boicote às urnas contra as políticas autoritárias do Presidente da República, num protesto corajoso por um país mais justo e mais democrático.

Esse acto de bravura chegou aos ouvidos dos gabinetes ministeriais em Lisboa, onde o governo cozinhou a sua vingança contra a nossa humilde freguesia, desmembrando-a. A partir do Terreiro do Paço ficou definido que a freguesia do Escoural iria ficar, para sempre, sem as paróquias de S. Cristovão e S. Romão, deitando por terra qualquer possibilidade de elevar a nossa freguesia a concelho, como era desejo dos seus habitantes.

Não obstante, os Escouralenses deram mostras de que tipo de convicções defendiam e de que se opunham fervorosamente ao autoritarismo de Sidónio Pais, fossem quais fossem as consequências, e fizeram questão de mostrar a sua lealdade e coragem ao país inteiro.

Esse espírito, embora adormecido, ainda por aqui circula, pois, como o título acima o expressa, o Escoural é a terra dos determinados. E sempre será.